Promotor do caso Henry Borel diz que Jairinho é 'psicopata severo' e Monique tem 'traços de narcisismo'

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
Júri do Caso Henry deve terminar na madrugada desta quinta-feira (4) No 10º dia do júri da morte de Henry Borel, nesta quarta-feira (3), o promotor do Ministério Público, Fábio Vieira, disse que Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, é um "psicopata severo". Já Monique Medeiros, mãe da criança, tem 'traços de narcisismo", segundo ele. “Tudo indica que ele (Jairinho) é um psicopata severo. E Monique tem, sim, traços de narcisismo. Quando deveria zelar, proteger o filho e dizer que errou, ela não assume. Monique ainda tem a capacidade de dizer que era a melhor mãe do mundo”, disse o promotor. Jairinho e Monique são acusados pela morte do menino em março de 2021. A declaração foi feita durante a fase de debates do Tribunal do Júri, quando acusação e defesa apresentam suas teses aos jurados. Jairinho e Monique no banco dos réus Reprodução/TV Globo O promotor Fábio Vieira também argumentou que a mãe do menino ignorou diversos sinais de que a criança sofria violência. "Quando a gente se debruça sobre o processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe, para que ele fosse salvo, mas essa mãe ignora todos esses gritos", afirmou o promotor. Ao abordar um episódio em que Henry relatou ao pai, Leniel Borel, ter recebido um "abraço forte" de Jairinho, o representante do Ministério Público sustentou que o comentário era um alerta. “O Henry já fala para o pai que o tio deu um abraço forte. O Leniel externaliza isso para a mãe. O Henry já dá a dica de algo que o incomoda", destacou Fábio Vieira. Antes da sessão, o assistente de acusação Cristiano Medina afirmou que considera falsa a tese da defesa de Monique Medeiros de que ela estaria sendo manipulada por Jairinho e disse acreditar na condenação do ex-casal pela morte do menino. “Tenho plena convicção de que ambos serão condenados, porque há provas que demonstram que Jairo torturou a criança e que Monique tinha conhecimento desses atos de tortura”, declarou. Segundo Medina, uma mãe não permaneceria ao lado de alguém apontado como responsável pela morte do próprio filho. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Planos de casamento Julgamento do caso Henry Borel entra no oitavo dia Medina também destacou que, de acordo com os autos, Monique teria feito planos de casamento com Jairinho mesmo após a morte de Henry, o que, na visão da acusação, enfraquece a versão apresentada pela defesa. Segundo ele, ambos devem ser condenados por agredirem Henry e por falharem no dever de proteger a criança. “Hoje eu vou demonstrar que, tecnicamente, Henry sofreu as lesões no período em que estava com o casal — ao longo de oito horas — e que acabou morrendo antes de chegar ao hospital”, afirmou o advogado. Sobre o desfecho do julgamento, Cristiano Medina avaliou que a sentença pode ser anunciada ainda nesta quarta-feira, mas ponderou que o prazo pode se estender, devido à longa fase de debates e aos diversos pontos que ainda precisam ser esclarecidos aos jurados. Ele também lembrou que o júri pode solicitar intervalos, o que pode adiar a decisão para a manhã de quinta-feira (4). Promotor rebate tese do acidente Ao responder aos argumentos apresentados pela defesa de Jairinho, o promotor Fábio Vieira dedicou parte da sustentação à hipótese de que a lesão fatal de Henry Borel teria sido causada por um acidente ocorrido antes da criança chegar ao apartamento onde vivia com Monique Medeiros e o ex-vereador. Segundo Vieira, a investigação identificou que Henry realmente esteve em um carro por aplicativo que sofreu uma freada brusca, mas afirmou que não há elementos que indiquem que esse episódio tenha provocado a morte da criança. Durante a exposição aos jurados, o promotor acusou a defesa de construir uma narrativa paralela para afastar a responsabilidade dos réus. "A todo momento, eles precisam criar uma narrativa, precisam criar uma história paralela. E para isso acabam contratando uma das melhores bancas, se não a melhor banca de defesa do Brasil, para dar essa voz, para dar essa forma." Jairinho e Monique Medeiros na audiência desta terça-feira (14) sobre o caso Henry Borel Brunno Dantas/TJ-RJ Em seguida, Vieira reconstruiu a versão apresentada pela defesa, segundo a qual Henry teria sofrido uma lesão durante um passeio com o pai, Leniel Borel, e só começado a apresentar sintomas horas depois. "No dia anterior, e eu pesquisei o Uber, houve uma freada brusca e o garoto acabou colidindo o seu corpo, batendo em uma superfície sólida daquele carro, um banco. E aí aquilo acabou causando uma lesão que ninguém percebeu. E o garoto começou a ficar normal, ele continuou normal, e normal foi entregue à sua família, ou melhor, à mãe." O promotor ironizou a hipótese ao afirmar que ela exigiria que os jurados acreditassem em uma sequência de acontecimentos incompatível com o conjunto das provas apresentadas durante o julgamento. "Só que ele começa a passar mal aquela noite, e passando mal até rola da cama e cai no chão. E aquela família super diligente, tanto mãe quanto padrasto, vendo aquela situação e a respiração mal do garoto, pega esse menino nos braços. (...) Essa é a narrativa." Ao final da explanação, Vieira classificou a tese como uma tentativa de desviar o foco da acusação. O promotor também voltou a citar os depoimentos de Kaylane Pereira e Enzo, filhos de ex-companheiras de Jairinho, além dos relatos da babá Thayná, para sustentar que Henry vinha sofrendo agressões antes da madrugada de sua morte. "Uma menina e um menino foram espancados por ele. (...) Essa criança aqui estava morta há pelo menos duas horas naquela residência." Na parte final da sustentação, Vieira retomou as ligações feitas por Jairinho após a morte de Henry para pessoas influentes e integrantes da direção do Hospital Barra D'Or. Para o Ministério Público, os contatos demonstrariam uma tentativa de interferir nos desdobramentos iniciais do caso. "Depois, na sequência, ele liga para o governador, ele liga para o presidente da Câmara dos Vereadores, liga para outros políticos influentes, tentando fazer com que aquilo cesse." Segundo o promotor, as ligações devem ser analisadas em conjunto com o restante das provas produzidas durante o julgamento. "Ele tenta jogar essa cortina de fumaça lá no Barra D'Or, tentando fazer com que o diretor liberasse o corpo." Acusação diz que Monique mudou versão após prisão Ao tratar da participação de Monique Medeiros no caso, o promotor Fábio Vieira afirmou aos jurados que a mãe de Henry passou a adotar uma nova estratégia de defesa apenas depois de ser presa. Segundo ele, ao longo dos primeiros momentos da investigação, Monique não relatou às autoridades qualquer suspeita de agressão praticada por Jairinho contra o filho. Durante a sustentação, Vieira relembrou que, segundo a acusação, Monique não mencionou episódios de violência a profissionais que tiveram contato com Henry, incluindo a psicóloga da criança, médicos que participaram do atendimento no Hospital Barra D'Or e policiais responsáveis pela investigação. "Ela não se importou com o filho dela, ela deu o filho para os leões, ela deu para os lobos, ela deu para o inimigo daquela criança", afirmou o promotor. O representante do Ministério Público também sustentou que Monique ignorou sinais que, na visão da acusação, indicavam que Henry sofria agressões dentro de casa. "Não há dúvida alguma que o Henry chegou morto ao hospital, que ele foi agredido dentro do apartamento e que Monique sabia de todas as torturas." Ao relembrar o episódio de 12 de fevereiro de 2021, Vieira voltou a citar o relato da babá Thayná e a chamada de vídeo feita para Monique naquele dia. "A babá comunicou a Monique sobre o dia 12. No momento em que o garoto entrou no quarto, fizeram uma chamada de vídeo. O garoto disse: 'mamãe, vem pra casa'." Segundo o promotor, a mãe de Henry minimizou os alertas recebidos ao longo do relacionamento com Jairinho. "Monique minimizou aqueles atos. (...) A Monique acobertou o Jairo em todos os atos de tortura.” Na parte final da exposição, a assistência de acusação exibiu aos jurados um vídeo com imagens da vida de Henry, registros da convivência da criança com familiares e trechos de reportagens sobre o caso. O material foi utilizado para reforçar a tese apresentada pelo Ministério Público ao longo dos debates. Durante a exibição, o pai do menino, Leniel Borel, se emocionou e chorou no plenário. Ele chegou a xingar Monique: “desgraçada”. Argumentos da defesa de Monique A defesa de Monique Medeiros começou a expor seus argumentos com o advogado Hugo Novais abrindo a toga e mostrando aos jurados uma camisa com a foto de Henry Borel e Monique juntos e a frase "Justiça por Henry e Monique". Ele afirmou que acredita na inocência de Monique e que ela está sendo acusada somente pelo fato de ser mulher, traçando paralelos com o caso de Ângela Diniz. A atriz, segundo Hugo, foi obrigada a assumir um crime cometido pelo então marido. "Monique está sendo acusada de praticar o homicídio contra o seu filho, na modalidade da omissão. Uma mãe não mata o próprio filho. No dia 12, quando Monique estava no salão, ela liga, fala com a babá. Ela não teve tempo de perceber que aquele era um sinal do SOS para o seu filho." "Existe prova inequívoca que Monique contribuiu para a morte do filho? Não. Monique contribuiu para o homicídio? Absolutamente que não", pontuou Hugo. Monique Medeiros voltará para prisão Reprodução/TV Globo A advogada Florence Rosa afirmou que a dor de Leniel Borel não pode ser usada como instrumento de vingança contra Monique. Ela ainda lembrou que Leniel explora diariamente uma foto de Monique no salão, dias após o enterro de Henry. Florence diz que Monique foi taxada como fria e narcisista. "Quando eu perguntei ao Leniel se ele ir à barbearia três dias depois do enterro e contratar profissional do sexo era uma atitude digna de um pai, ele disse, a contragosto, que sim." A defesa de Monique também sustenta que a acusação direciona à mãe uma responsabilidade que, segundo os advogados, deveria ser discutida em relação à babá Thayná. Os defensores afirmam que a cuidadora acompanhava a rotina de Henry diariamente e estava presente nos episódios apontados como indícios de violência. Na avaliação da defesa, Thayná assumia a posição de garantidora da criança quando Monique não estava no apartamento e, caso realmente acreditasse que Henry estava sendo torturado, tinha o dever de agir para impedir novas agressões ou comunicar os fatos às autoridades. Os argumentos da defesa de Jairinho Na sua parte nos debates, a defesa de Jairinho voltou a falar que um acidente de carro pode ter causado a laceração hepática apontada como causa da morte de Henry. A última testemunha ouvida no processo, o assistente técnico Jefferson Evangelista Corrêa, afirmou que a lesão poderia ter sido causada por uma freada brusca. Em determinado momento, ao ser questionado sobre a possibilidade de uma lesão fatal ter ocorrido antes da madrugada da morte, Jefferson respondeu: "É o mais provável." A defesa argumenta que Henry já poderia estar sofrendo com uma hemorragia interna muito antes de chegar ao condomínio onde morava com sua mãe e Jairinho. "A laceração hepática foi nesse acidente. O Leniel pesquisa por farmácias e deixa a criança seguir para a casa da mãe. Ele entrega a 'bomba-relógio' para a Monique e para o Jairo. Fabiano Lopes apontou ainda que a denúncia contra Jairinho foi obra de um "comitê do mal" para Leniel se vingar do então vereador. “Existe um plano de vingança claro”, afirmou o advogado, que questionou a postura adotada pelo pai de Henry. “Imaginem se todo homem traído resolvesse montar um escritório particular de vingança” Segundo ele, participaram da conspiração a então diretora do Instituto Médico Legal, Gabriela Graça, e policiais civis amigos de Leniel. Os advogados apresentaram mensagens entre o pai de Henry e Gabriela. Na troca de mensagens, Gabriela diz: "A pedido dos delegados, vou te ajudar. Pode contar comigo", disse Gabriela em uma mensagem do dia 23 de março de 2021, 15 dias após a morte de Henry. Depoimentos de Monique e Jairinho Tribunal ouve mais testemunhas do caso Henry Borel Marcos Porto/Agência O Dia/Estadão Conteúdo Após nove dias de depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, Monique Medeiros e Jairinho foram ouvidos pelo Tribunal do Júri em interrogatórios que ocuparam praticamente toda a reta final da fase de instrução do julgamento. Monique prestou depoimento por cerca de sete horas e afirmou que hoje acredita que Jairinho foi o responsável pelas agressões que resultaram na morte de Henry. A mãe do menino sustentou que viveu um relacionamento marcado por manipulação psicológica e disse que ignorou sinais de violência contra o filho porque confiava no então companheiro. Em um dos momentos mais marcantes do interrogatório, Monique afirmou que mudou sua compreensão sobre o caso ao longo dos anos de investigação. "Hoje eu creio que foi o Jairo", disse Monique. A ré também relatou episódios que, segundo ela, passaram a fazer sentido apenas após a morte de Henry, incluindo relatos do filho sobre "abraços fortes", mudanças de comportamento da criança e situações que teriam sido minimizadas por ela na época. Já Jairinho dedicou grande parte de seu interrogatório, que começou às 17h e foi até meia noite, a negar qualquer agressão contra Henry e a contestar os principais elementos apresentados pela acusação ao longo do julgamento. O ex-vereador afirmou que as acusações feitas por ex-companheiras e por testemunhas do processo são baseadas em interpretações equivocadas e negou ter praticado violência contra mulheres ou crianças. "Tudo que começaram a falar de mim, tudo é especulação. Não tem nada", disse Jairinho. Ao comentar o episódio de 12 de fevereiro de 2021, apontado pela acusação como uma das agressões sofridas por Henry antes da morte, Jairinho afirmou que nunca machucou a criança e questionou a interpretação dada pela babá Thayná aos acontecimentos daquele dia. "Eu não fiz isso com o Henry", afirmou. O ex-vereador também apresentou aos jurados sua versão sobre a madrugada de 8 de março de 2021. Segundo ele, Henry já havia chegado ao apartamento passando mal, com episódios de vômito e dificuldade para dormir. Jairinho durante o depoimento Divulgação/Brunno Dantas e Felipe Cavalcanti/TJRJ Jairinho afirmou que acreditou inicialmente que o menino estivesse engasgado ou sofrendo uma bronco aspiração e que, por isso, decidiu levá-lo imediatamente ao Hospital Barra D'Or. "Se fosse meu filho, e eu estava ali como se fosse meu filho, eu faria a mesma coisa. Eu levaria para o hospital." Durante o interrogatório, Jairinho ainda contestou a tese de que tentou impedir o encaminhamento do corpo de Henry ao Instituto Médico-Legal (IML), negou ter cometido agressões contra a criança e sustentou que os ferimentos apontados pela acusação não foram causados por ele. Os interrogatórios evidenciaram o conflito entre as versões dos dois réus. Enquanto Monique atribuiu a Jairinho a responsabilidade pelas agressões que levaram à morte do filho, o ex-vereador negou qualquer participação no crime e afirmou ser vítima de acusações falsas. As teses serão retomadas pelas partes nos debates finais do júri, etapa que antecede a votação dos jurados. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/06/03/mp-henry-borel-jairinho-monique-acusacoes.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

nosso telefone, (21) 9-9765-7105!!

Top 10

top1
1. Deus Proverá

Gabriela Gomes

top2
2. Algo Novo

Kemuel, Lukas Agustinho

top3
3. Aquieta Minh'alma

Ministério Zoe

top4
4. A Casa É Sua

Casa Worship

top5
5. Ninguém explica Deus

Preto No Branco

top6
6. Deus de Promessas

Davi Sacer

top7
7. Caminho no Deserto

Soraya Moraes

top8
8.

Midian Lima

top9
9. Lugar Secreto

Gabriela Rocha

top10
10. A Vitória Chegou

Aurelina Dourado


Anunciantes